O desconto do INSS é o primeiro a aparecer no holerite de quem trabalha de carteira assinada. Ele financia a Previdência Social — aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte e outros benefícios. A cada ano os valores das faixas são reajustados; em 2026, pela Portaria Interministerial MPS/MF 13/2026. E surge sempre a mesma dúvida: afinal, quanto desce do salário?
Neste guia você confere a tabela vigente, entende por que a contribuição é progressiva (e por que isso é bom para você), o que é o teto e o desconto máximo, e como conferir o valor no holerite. Para o número exato do seu caso, a calculadora de salário líquido aplica a tabela automaticamente.
A tabela do INSS em 2026
A contribuição é organizada em quatro faixas, cada uma com a sua alíquota. Estes são os valores vigentes, conforme a Portaria Interministerial MPS/MF 13/2026:
| Faixa de salário de contribuição | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% |
| De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 | 9% |
| De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 | 12% |
| De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 (teto) | 14% |
O detalhe que confunde: a tabela é progressiva
O erro mais comum é achar que a alíquota da sua faixa incide sobre o salário inteiro. Não é assim. O INSS é progressivo: cada alíquota vale apenas sobre a parte do salário que cai dentro daquela faixa, como no Imposto de Renda. O salário é “fatiado”, e cada fatia paga a sua alíquota. Por isso a alíquota efetiva (o percentual real descontado) é sempre menor do que a alíquota da última faixa que você alcança — e ninguém “perde dinheiro” ao subir de faixa.
Cair na faixa de 12% não significa pagar 12% de tudo: as fatias anteriores foram cobradas a 7,5% e 9%. Somando tudo e dividindo pelo salário, o desconto real fica bem abaixo do número da faixa.
Teto e desconto máximo
Existe um teto: em 2026, o INSS incide sobre no máximo R$ 8.475,55. Quem ganha acima disso contribui sempre sobre esse limite, e o desconto máximo possível é de R$ 988,09. Ou seja: por mais alto que seja o salário, o INSS não passa desse valor. Quem tem mais de um emprego CLT deve somar os salários para respeitar o teto e evitar contribuição indevida acima do limite.
Nem tudo no holerite sofre desconto de INSS
O INSS incide sobre o chamado salário de contribuição — não sobre cada linha do contracheque. Saber o que entra e o que fica de fora ajuda a conferir o valor descontado:
- Sofrem INSS: salário, horas extras, adicionais (noturno, insalubridade, periculosidade), comissões e o 13º salário.
- Não sofrem INSS: verbas indenizatórias, como o vale-transporte legal, reembolsos de despesa, o abono pecuniário de férias e as férias indenizadas na rescisão.
Um exemplo da lógica progressiva
Para enxergar a mecânica — e não os centavos —, pense num caso com números redondos:
- Salário fictício de R$ 3.000.
- A 1ª fatia (até o limite da 1ª faixa) paga 7,5%.
- A 2ª fatia (entre a 1ª e a 2ª faixa) paga 9%.
- A parte restante, dentro da 3ª faixa, paga 12%.
- A soma das três fatias é o INSS do mês — e a média sobre o salário é a alíquota efetiva.
O valor exato sai da calculadora de salário líquido, com a tabela de 2026.
Perguntas frequentes
O INSS também desconta do 13º salário?
Sim. O mesmo desconto de INSS incide sobre o décimo terceiro, calculado de forma exclusiva (separada do salário do mês).
As faixas mudam todo ano?
Sim. Os limites são reajustados anualmente por portaria, em geral acompanhando o salário mínimo e a inflação. As alíquotas (7,5% a 14%) tendem a se manter; o que muda são os valores das faixas.
Sou autônomo. Pago o mesmo INSS?
Não. Esta tabela é a do empregado CLT. Autônomos e contribuintes individuais seguem regras e alíquotas próprias de recolhimento.
Conclusão
O INSS é um desconto progressivo, com teto e desconto máximo — e a alíquota efetiva é sempre menor do que a da faixa. Em vez de fazer as quatro contas na mão, use a calculadora de salário líquido: ela aplica a tabela de 2026 e mostra quanto cai na sua conta.